quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Impunidade: Morte da adolescente Rayoingreth completa dois anos nesta quarta mas autor do atropelamento leva vida normalmente

A jovem e amigo Fabrício foram
vítimas  da imprudência de Pedro Caxiado
Nesta quarta-feira, dia 12 completam dois anos que a estudante Rayoingreth Nascimento Silva, de 17 anos, foi morta vítima de atropelamento na Rua Gentil Bittencourt, esquina da Generalíssimo Deodoro, no bairro de Nazaré, em Belém. Na ocasião o autor do crime, Pedro Augusto da Silva Caxiado, dirigia um veículo Peugeot  com velocidade acima do permitido para o local. Com sintomas de embriaguez, segundo testemunhas, Pedro perdeu o controle do veículo que se chocou contra um contêiner e este veio a atingir a jovem que caminhava junto com um amigo, Fabrício da Silva Pereira. Com o impacto do container contra os dois Rayoingreth faleceu na hora e o rapaz ficou gravemente ferido.

O caso resultou em três ações contra Pedro Caxiado. A primeira ação é criminal e foi movida pelo Ministério Público, chegando a tramitar até meados de dezembro do ano passado na Vara da Infância e Juventude, quando a juíza responsável pelo processo pediu redistribuição alegando ser incompetente para julgar o caso. O curioso é que uma audiência chegou a ser marcada entre o acusado ano passado, familiares e testemunhas de acusação e de defesa. Mas, ninguém compareceu ao TJE na data.

“Eu nunca fiquei sabendo dessa audiência por que se soubesse teria ido até lá”. Garante a enfermeira Claudia Renata Cezimbra Gonçalves, uma das principais testemunhas de acusação. Segundo ela, que ainda hoje mora na mesma vila na Gentil Bitencourt próximo ao local do acidente, o veículo de Pedro Caxiado vinha em altíssima velocidade se chocando bruscamente com o contêiner que estava na lateral direita da rua e este com o impacto foi arremessado sobre as vitimas. Segundo a enfermeira a jovem que trazia na mão uma Bíblia foi atingida pela quina do contêiner na cabeça e em conseqüência desse impacto foi arremessada contra a calçada sofrendo com isso diversos tipos de lesões e morte instantânea, conforme Laudo de Exame de Corpo de Delito do Instituto Médico Legal do Pará.
Inconformado com a morte da filha e com a impunidade do autor do crime, que hoje leva a vida como se nada tivesse acontecido, Raimundo Castro Silva só soube da existência de uma ação criminal e que uma audiência chegou a ser marcada pelo TJE quando contratou o advogado Antônio Epifânio Rodrigues para dar entrada em uma ação cível de indenização por danos morais e materiais, que atualmente tramita na 13ª Vara Cível de Belém.

A estudante, na foto com as amigas de escola, tinha sonhos
de se formar e ajudar aos pais.
“A ação é apenas uma forma de garantir que não haja impunidade por que nada vai trazer a nossa filha de volta. Ela tinha muitos sonhos e esse rapaz acabou com eles nos causando uma dor que nunca vai passar”. Afirma o pai de Rayoingreth, que no mês em que morreu havia acabado de passar no vestibular em uma faculdade de Belém. A ação de conciliação na 13ª Vara Cível de Belém está agendada para o próximo dia 2 de abril.

Na 7ª. Vara Cível de Belém tramita uma terceira ação contra Pedro Augusto Caxiado, esta movida por Fabrício da Silva Pereira, amigo de infância de Rayoingreth e que na noite da morte dela estava junto com a jovem e também foi atingido pelo contêiner ficando gravemente ferido. Fabrício ficou com várias cicatrizes pelo corpo, além da dor de ter perdido a amiga.
“A Rayo não vai voltar mas a justiça precisa ser feita para que outras vítimas da imprudência no trânsito não sejam feitas sem que os culpados sejam punidos”. Afirma o rapaz que mesmo depois de dois anos não superou as perdas e os danos do acidente, na ocasião registrado em boletim de ocorrência na Seccional de São Braz.

Entre as testemunhas do caso estão o taxista Jorge Bandeira, que presenciou o momento do acidente e ajudou a população a impedir que o autor do crime fugisse do local. Jorge relatou em depoimento na Seccional que minutos antes do acidente quando trafegada também pela Gentil Bitencourt  foi “fechado” pelo veículo Peugeot, de Placa NSF 8238, cor prata.
Segundo a testemunha a atitude do motorista causou-lhe surpresa e despertou sua curiosidade o que fez com que ele passasse a seguir o veículo, pois achou que o motorista poderia estar sendo vítima de um seqüestro, de um assalto, ou mesmo de algum tipo de mal estar, isso porque dirigia de forma descontrolada “costurando o transito” ao cortar aos demais veículos e principalmente pela alta velocidade  que chegava a cerca de 90 km/h, como dito, inadequada para o local.  O taxista afirmou em seu depoimento que também presenciou o momento exato do impacto do veículo com o contêiner e ao ver o estado que ficou o veículo após o impacto desceu do seu taxi e foi até o veículo na tentativa de socorrer o motorista.  Entretanto, Pedro Caxiado o arrancou violentamente e iniciou sua fuga mas foi detido por Jorge e por outras pessoas que estavam no local. A audiência entre Fabrício e Pedro Caxiado na 7ª. Vara Cível de Belém será no dia 12 de agosto.

Texto: Benigna Soares – DRT-PA 1428
Telefone (91) 8842-8129