domingo, 17 de fevereiro de 2008

Belemtur estrutura ilhas e trilhas para fomentar o turismo em Outeiro




A Coordenadoria Municipal de Turismo (Belemtur) está desenvolvendo um trabalho de incentivo e fortalecimento de atividades turísticas nas ilhas e comunidades ribeirinhas de Belém, principalmente nos distritos de Outeiro e Mosqueiro. Com esse objetivo vem realizando visitas técnicas nessas localidades visando estudos de viabilidade de novas trilhas turísticas.

Segundo Wady Khayat, coordenador da Belemtur, Mosqueiro, Outeiro, Icoarací e Belém oferecem boas opções de trilhas e há uma demanda de visitantes que precisa ser incentivada para descobrir esses espaços. Um exemplo, diz ele, é o Parque Municipal da Ilha do Mosqueiro, uma unidade de conservação formada pelas ilhas do Cotovelo, Terra Alta e Carará, ladeada pelos rios Murubira e Tamanduá. Là existem três mil metros de trilhas ecológicas. O Parque fica ao lado dos igarapés Tamanduá e Cajueiro e pelo rio Murubira. A Ilha do Combu, que faz parte do Outeiro, é também uma opção para quem busca o ecoturismo e está entre as mais visitadas. Distante apenas 1,5 km ao sul de Belém, é acessível através de passeios diários em embarcações que saem da Praça Princesa Izabel e da Estação das Docas, em caso de pacotes fechados pelas agências de turismo.

Novos Roteiros – Esta semana duas visitas técnicas aconteceram na comunidade de Caratateua, em Outeiro. Além do coordenador da Belemtur participaram representantes do
Ecomuseu da Amazônia, ligado à Secretaria Municipal de Educação (Semec), Escola Bosque, Gerência Regional daquele distrito e Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo (Abrajet Pará). A nova trilha que está sendo avaliada envolve 870 metros a partir da Escola de Pesca, na Rua Evandro Bonna com a Passagem São José, conhecida também como passagem Olho Dágua, pela abundância de fontes naturais de água que jorram da floresta. O roteiro envolve cerca de dez minutos de caminhada na floresta densa, com direito a apreciar vegetação típica da Amazônia, incluindo árvores frutíferas como açaí, cupuaçu, abil, bacurí, cacau, jaca e tucumã. Árvores centenárias de eucaliptos e seringueiras também podem ser observadas. Uma primeira parada é em um trapiche de madeira às margens de um braço do rio Maguarí, de onde dá para observar o processo de desenvolvimento de carangueijos e a alta e baixa da maré. Seguindo pela trilha encontramos um lugar inusitado, o Barracão do Tem Tem, residência humilde de um casal de ribeirinhos que é referência para a cultura local. Fica na comunidade Trindade, bairro Itaiteua.
"Aqui recebemos a comunidade e realizamos os ensaios dos nosso grupo folclórico de cordão de pássaros, pastorinhas, folia de reis e carimbó, conta Jorsonleide de Paula Paes, anciã de 72 anos de idade, mais conhecida como Dona Zula. O grupo, que já se apresentou até em Goiás, tem 35 dançarinos, todos da própria comunidade, entre eles o pescador José Demétrio Cardoso, de 75 anos, esposo de Dona Zula. Ele interpreta o matuto do "Pássaro" e é muito querido no grupo, que tem apresentações registradas no DVD e livro intitulados "Brincadeiras de Mestre". Wady Khayat informou que a Belemtur vai captar apoio institucional da Prefeitura para garantir melhorias do Barracão do Tem Tem para que seja uma referência cultural e até gastronômica aos turistas que visitarem a trilha.

O estudante de turismo e hospitalidade do CEFET, Gleidson da Silva, 23 anos, acompanhou a visita técnica e aprovou a iniciativa. Para ele, que é estagiário do Ecomuseu da Amazônia, "é importante que Belém ofereça alternativas a quem aprecia o turismo".
Eliana Costa, técnica do Ecomuseu, avaliou positivamente a área e disse que antes de abrir a trilha ao público, "é preciso um estudo minucioso, um mapeamento das inúmeras espécies nativas do local".

A turismóloga da Belemtur, Luciana Mendes, ressaltou que, além dos atraivos naturais que a nova trilha vai oferecer aos turistas Outeiro tem outras alternativas para oferecer ao visitante. Além das praias e balneários o artesanato e a cerâmica são diferenciais importantes. A equipe técnica também conheceu o processo de fabricação de cerêmicas de Caratateu, que tem como principal produtor o artesão Luiz Reis, aprendiz de Mestre Cardoso, ícone da cerâmica em Icoarací.

Luiz conta que após trabalhar 23 anos em Icoarací resolveu investir na cerâmica de Caratateu. A inspiração veio depois de receber uma encomenda de 40 peças do México. As peças, exportadas para os Estados Unidos, foram feitas de acordo com o gsto do cliente, com traços e características mexicanas mas, com uma forte influência do artista.

Com um trabalho reconhecido no Pará e em São Paulo especialmente, Luiz exporta hoje para o Canadá, EUA, Japão, entre outros países. Mas, o principal consumidor está bem pertinho, é Icoarací, conta o artesão, enquanto prepara mais uma de suas peças, que foram caracterizadas ao substituir os traços marajoaras e tapajônicos por simbologias atuais, da própria comunidade, como desenhos de peixes, plantas nativas, ondas de rios, etc.

O processo de avaliação da nova trilha, em Carataeua, deve ser concluído até o final do mês, segundo o coordenador da Belemtur. Ele afirma que a trilha deverá ser inaugurada em março, quando a Prefeitura inaugura também a Escola de Pesca, que vai atender as famílias de ribeirinhos, melhorando as técnicas e práticas de pesca na comunidade.

Texto: Benigna Soares - Assessora da Belemtur
Fotos: Elivaldo Pamplona - Comus

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